Califórnia enfrenta reação de bilionários a proposta de taxação

Medida que prevê imposto sobre fortunas de ultra-ricos divide políticos, mobiliza elite do Vale do Silício e intensifica debate sobre futuro econômico do estado

Proposta de taxação de bilionários na Califórnia provoca mobilização dos mais ricos, críticas de líderes empresariais e debate político intenso.

Uma proposta de taxação de bilionários na Califórnia desencadeou uma onda de críticas de empresários e mudanças estratégicas de residência, intensificando o debate sobre o papel dos mais ricos no equilíbrio fiscal e econômico do estado americano. A ideia, que pode chegar a votação popular em novembro, já mobiliza financiadores, políticos e sindicatos em lados opostos da discussão.


O plano, articulado por um sindicato que representa trabalhadores da saúde, prevê um **imposto único de 5% sobre o patrimônio líquido** de residentes com fortunas acima de US$ 1 bilhão — um valor que difere do tradicional imposto sobre renda e incide sobre riqueza acumulada. Se concluída a coleta de assinaturas necessárias, a medida pode figurar no referendo de novembro de 2026.

A estimativa dos idealizadores é que a taxação possa gerar cerca de US$ 100 bilhões, com parte dos recursos destinados à saúde pública e serviços sociais, diante de cortes nas transferências federais.

A proposta já está provocando uma forte reação no setor empresarial, sobretudo entre líderes das grandes empresas de tecnologia radicadas na Califórnia.

Empresários influentes — como os cofundadores do Google — adotaram ações concretas para reduzir sua exposição ao novo tributo, transferindo entidades jurídicas e redirecionando investimentos para estados com regimes fiscais mais favoráveis.

Além disso, figuras do setor tecnológico estão financiando campanhas e movimentos políticos para impedir a aprovação do imposto ou para moldar sua redação de forma a reduzir impactos considerados “desproporcionais”.

Críticos da medida sustentam que a taxação pode incentivar a migração de bilionários e capital para estados menos tributários, o que reduziria a base tributária do próprio estado e poderia afetar investimentos e empregos — especialmente em setores de ponta como tecnologia e inovação.

Esses opositores também alertam que a forma como o imposto calcula riqueza — incluindo ativos ilíquidos ou direitos de voto empresarial — pode inflar artificialmente o valor tributável, gerando valores maiores que a alíquota nominal de 5%.

Por outro lado, defensores da proposta — incluindo sindicatos e organizações progressistas — argumentam que a taxação seria uma forma de compensar cortes orçamentários federais em áreas sociais essenciais, como saúde e educação, sem sobrecarregar os contribuintes de menor renda.

O debate, segundo especialistas, reflete tensões mais amplas sobre desigualdade e arrecadação tributária, em que técnicas tradicionais de tributação de renda não capturam adequadamente a riqueza acumulada pelos indivíduos mais ricos.

A proposta ainda precisa completar a fase de coleta de assinaturas — cerca de 874 mil válidas — até meados do ano para ser incluída na cédula eleitoral. Caso atinja esse marco, o estado entrará em um período de debates públicos intensos até a votação, com amplificação midiática nacional e envolvimento direto de grandes figuras da economia.

Especialistas também apontam que, mesmo se aprovada, a implementação enfrentará desafios jurídicos e logísticos, especialmente em relação à retroatividade para residentes na data-chave considerada pela proposta.

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