Lula avalia convite de Trump para conselho sobre Gaza e adia decisão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com o chanceler Mauro Vieira para avaliar o convite feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o Brasil integre um conselho internacional voltado à Faixa de Gaza. A decisão ainda não foi tomada e depende de uma análise detalhada da proposta.

O encontro ocorreu no Palácio do Planalto e teve como foco o documento enviado pelo governo norte-americano, que propõe a criação de um chamado “Conselho de Paz” para discutir o futuro da Faixa de Gaza após o conflito em curso.

De acordo com integrantes do governo brasileiro, Lula determinou uma avaliação criteriosa sobre o alcance do conselho, seus objetivos práticos e as consequências diplomáticas de uma eventual participação do Brasil. A orientação é examinar não apenas o texto oficial, mas também o contexto político em que a iniciativa foi lançada.

Entre os pontos considerados estão a composição do grupo, o posicionamento dos países convidados em relação à guerra, os compromissos que poderão ser assumidos e a possibilidade de custos financeiros decorrentes das decisões do conselho.

Diplomatas ouvidos pelo governo destacam que ainda há incertezas relevantes. Para eles, antes de qualquer resposta formal, o Brasil pretende dialogar com nações influentes no debate sobre o Oriente Médio, buscando alinhar posições e avaliar a viabilidade de ações concretas.

O conselho anunciado por Trump é apresentado pela Casa Branca como parte de uma estratégia para avançar em uma nova fase de negociação no território palestino. Segundo o governo dos EUA, o grupo deverá tratar de temas como governança local, reconstrução, atração de investimentos e financiamento internacional.

A proposta surge em um cenário sensível para a diplomacia brasileira. O Brasil reconhece oficialmente o Estado da Palestina e, desde o início da intensificação do conflito, Lula e o ministro Mauro Vieira têm feito críticas públicas à condução militar de Israel em Gaza, ao mesmo tempo em que condenam ataques do Hamas.

Em 2023, o país tentou aprovar no Conselho de Segurança da ONU uma resolução em defesa de um cessar-fogo e da ampliação da ajuda humanitária, iniciativa que acabou barrada por veto dos Estados Unidos.

Enquanto avalia o convite de Trump para o Conselho de Gaza, o governo brasileiro reafirma que apoia iniciativas voltadas à construção da paz e à proteção de civis, mas ressalta que qualquer participação internacional precisa estar alinhada aos princípios da política externa do país e à legalidade internacional.

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