O tratado histórico, negociado por mais de duas décadas, pode ampliar comércio e investimentos entre América do Sul e Europa
O acordo UE-Mercosul deu um passo decisivo no Brasil após receber parecer favorável do relator na Câmara dos Deputados. Com a aprovação do relatório, o tratado comercial agora está apto para ser analisado e votado pelo plenário, o que pode ocorrer já nas próximas semanas. O avanço sinaliza a aproximação do país à fase final de ratificação de um dos entendimentos comerciais mais ambiciosos do mundo.
Assinado em janeiro, o acordo busca integrar economias da América do Sul e da União Europeia, promovendo redução tarifária, ampliação de mercados e estímulo ao fluxo de investimentos. Caso seja confirmado pelos parlamentos nacionais, o tratado criará a maior área de livre comércio do planeta em número de consumidores.
Relator destaca importância estratégica do acordo UE-Mercosul
Responsável pela análise do texto na Câmara, o deputado Arlindo Chinaglia (PT) ressaltou, em seu relatório, o caráter histórico e estratégico do acordo UE-Mercosul. Segundo ele, o entendimento representa a conclusão de um processo iniciado no fim da década de 1990, marcado por longas negociações e sucessivas revisões ao longo dos anos.
As tratativas começaram oficialmente em 1999, avançaram para um acordo político em 2019, foram retomadas em 2023 e finalmente formalizadas no início de 2026. O relator apontou que o texto atual reflete concessões equilibradas entre os blocos, levando em conta interesses comerciais, industriais e agrícolas.
O que prevê o acordo comercial entre os blocos
O tratado estabelece a eliminação ou redução de tarifas de importação e exportação em cerca de 90% dos produtos comercializados entre os dois blocos. A expectativa é de que setores industriais e agrícolas sejam diretamente impactados, com destaque para bens manufaturados, produtos químicos, máquinas, alimentos e commodities.
Além da redução tarifária, o acordo UE-Mercosul amplia cotas de exportação para itens sensíveis, como carne, etanol, açúcar e arroz. O objetivo é garantir acesso progressivo aos mercados europeus, respeitando limites previamente definidos para evitar impactos abruptos nos setores locais.
O texto também contempla regras sobre serviços, compras governamentais, propriedade intelectual e mecanismos de solução de controvérsias, criando um ambiente mais previsível para empresas e investidores.
Impactos econômicos e comerciais esperados
A entrada em vigor do acordo pode fortalecer a competitividade das exportações sul-americanas e reduzir custos para consumidores e empresas dos dois lados do Atlântico. Para o Mercosul, a União Europeia representa um mercado de alto poder aquisitivo e grande demanda por alimentos, energia e matérias-primas.
Já para os europeus, o tratado facilita o acesso a um mercado em expansão, com mais de 295 milhões de habitantes, além de ampliar oportunidades para investimentos em infraestrutura, indústria e serviços.
Especialistas apontam que o acordo tende a gerar ganhos de longo prazo, embora alguns setores produtivos possam enfrentar maior concorrência externa e demandar políticas de adaptação.
Quais países fazem parte do acordo UE-Mercosul
A União Europeia reúne 27 países, incluindo Alemanha, França, Itália, Espanha e Portugal, somando cerca de 450 milhões de habitantes. O Mercosul é composto por Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela, além de países associados como Chile, Colômbia e Peru.
Juntos, os dois blocos representam um dos maiores fluxos potenciais de comércio internacional, conectando economias maduras e emergentes.
Próximos passos para a entrada em vigor
Mesmo com o avanço no Congresso brasileiro, o acordo UE-Mercosul ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e pelos parlamentos nacionais dos países do Mercosul. A ratificação ocorre de forma independente, o que significa que o tratado pode entrar em vigor gradualmente, conforme cada país conclua seu processo interno.
No Brasil, a expectativa é de que a votação no plenário ocorra após o período de Carnaval. Caso aprovado, o país se juntará às demais nações que caminham para a consolidação do maior acordo comercial já firmado entre dois blocos econômicos.
