Mesmo com redução no valor praticado pela Petrobras, custo ao consumidor acumula alta significativa nos últimos três anos
O preço da gasolina pago pelos motoristas brasileiros segue em trajetória de alta, mesmo após sucessivas reduções no valor do combustível vendido pelas refinarias. Levantamento com base em dados oficiais do setor mostra que, nos últimos três anos, o custo para encher um tanque de 50 litros aumentou significativamente, contrariando o movimento observado na origem da cadeia de abastecimento.
Nesse período, o valor médio do litro da gasolina nos postos subiu cerca de R$ 1,35, o que representa um acréscimo aproximado de R$ 67,50 para quem completa o tanque. A elevação ocorre apesar de uma redução acumulada de cerca de 16% no preço praticado pelas refinarias, evidenciando um descompasso entre a etapa de produção e o preço final ao consumidor.
Diferença entre refinaria e bomba
Dados do mercado indicam que a participação da Petrobras no preço da gasolina representa menos de um terço do valor cobrado nos postos. Atualmente, a parcela referente à refinaria corresponde a pouco mais de 28% do total pago pelo motorista. Isso significa que a maior parte do preço final é influenciada por outros componentes ao longo da cadeia.
Entre esses fatores está a mistura obrigatória de etanol anidro à gasolina, que responde por cerca de 16% do valor final. Além disso, entram na conta os impostos federais, os tributos estaduais e as margens aplicadas por distribuidoras e revendedores.
ICMS e margens pressionam o preço da gasolina
O preço da gasolina também foi impactado por ajustes tributários. O ICMS, imposto estadual que incide sobre o combustível, passou por aumento no período, acrescentando cerca de R$ 0,10 por litro ao custo final. Como o tributo é cobrado de forma uniforme por estado, ele influencia diretamente o valor praticado nos postos, independentemente de variações nas refinarias.
Outro ponto relevante são as margens de distribuição e revenda, que juntas representam quase 20% do preço final. Esses percentuais variam conforme a região, a concorrência local e os custos operacionais de cada estabelecimento, o que explica as diferenças expressivas de preços entre municípios e até entre postos da mesma cidade.
Preços variam e atingem patamares elevados

A variação regional do preço da gasolina é um dos principais desafios para o consumidor. Registros recentes mostram que, em determinadas localidades, o valor do litro ultrapassou R$ 9,00, evidenciando como fatores logísticos e comerciais podem elevar ainda mais o custo do abastecimento.
Especialistas do setor apontam que, além dos impostos e margens, despesas com transporte, armazenagem e custos financeiros também influenciam o preço final, especialmente em regiões afastadas dos grandes centros de distribuição.
Por que isso importa para o consumidor
A alta acumulada no preço da gasolina tem impacto direto no orçamento das famílias e na inflação, já que o combustível influencia o custo do transporte e de diversos produtos e serviços. Mesmo com políticas de redução de preços na origem, o consumidor nem sempre percebe o alívio no bolso devido à estrutura de formação de preços no Brasil.
O que esperar daqui para frente
O comportamento do preço da gasolina nos próximos meses dependerá de uma combinação de fatores, como decisões tributárias, custos do etanol, política de preços das distribuidoras e condições do mercado internacional de petróleo. Enquanto isso, a tendência é de que o consumidor continue atento às variações regionais e à competitividade entre postos como forma de reduzir o impacto no abastecimento.













