POLÍTICA

Centrão se reaproxima de Lula e vê ambiente mais estável no Congresso


Os gestos de diálogo no início do ano legislativo indicam possível rearranjo político e podem destravar pautas sensíveis em 2026


A retomada dos trabalhos no Congresso Nacional começou acompanhada de sinais de reorganização no tabuleiro político. Um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e lideranças de partidos de centro, realizado na Granja do Torto, reacendeu discussões sobre a governabilidade com Lula e a possibilidade de formação de uma base mais ampla para os próximos embates legislativos.

O jantar reuniu o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), além de representantes de siglas como União Brasil e PSD, tradicionalmente associadas ao centrão. O gesto, embora informal, foi interpretado por analistas como um indicativo de que setores do centro político avaliam o atual governo como um polo de maior estabilidade institucional.

Nas redes sociais, o encontro foi descrito por Lula como um momento de agradecimento pelo apoio parlamentar a projetos considerados estratégicos. Motta, por sua vez, destacou o papel do diálogo e do respeito entre os Poderes como base para avanços políticos e institucionais.

Governabilidade com Lula atrai partidos de centro
Para o cientista político Paulo Niccoli Ramirez, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), a movimentação reflete um cálculo pragmático. Segundo ele, partidos de centro tendem a se aproximar de governos que demonstram capacidade de articulação política e previsibilidade.

Na avaliação do especialista, a percepção de que Lula reúne condições de manter relações estáveis tanto no plano interno quanto no cenário internacional pesa na decisão dessas legendas. A lógica, afirma, passa por estar alinhado a um projeto que oferece menores riscos políticos e maior chance de continuidade.

Esse movimento também sinaliza uma reconfiguração gradual da postura de setores da direita e do centro-direita, que passaram a considerar a participação em espaços do governo como uma alternativa viável diante do cenário eleitoral que começa a se desenhar.

Relações internacionais entram no cálculo político
Outro fator apontado por analistas é o impacto da política externa brasileira nesse processo. A relação entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é vista como um elemento que influenciou a leitura do cenário por parte de lideranças partidárias.

Após um período de tensões e declarações críticas, Brasil e Estados Unidos retomaram o diálogo diplomático, com reuniões bilaterais e manifestações públicas de aproximação. Para Ramirez, o fato de Lula ter conseguido reverter um ambiente adverso e estabelecer interlocução com uma liderança central da direita internacional repercute diretamente no ambiente político doméstico.

Na avaliação do analista, esse movimento enfraqueceu alianças automáticas e abriu espaço para uma atuação mais flexível.

Pautas sensíveis ganham novo fôlego no Congresso
Com a sinalização de maior aproximação, temas de forte apelo popular podem ganhar espaço na agenda legislativa. Um dos exemplos é o projeto que propõe o fim da escala de trabalho 6×1, considerado por integrantes do governo como uma das principais apostas políticas para o período.

A proposta coloca parlamentares diante de um dilema: rejeitar uma medida com respaldo social pode gerar desgaste eleitoral, enquanto apoiá-la pode representar alinhamento com o Planalto. Mesmo em caso de derrota no Congresso, analistas avaliam que a pauta pode fortalecer o discurso do governo junto à opinião pública.

Próximos passos e cenário político
O ambiente de cordialidade observado fora do Congresso ainda precisa se traduzir em apoio efetivo nas votações. A consolidação dessa reaproximação dependerá da capacidade do governo de transformar gestos simbólicos em acordos concretos.

À medida que 2026 se aproxima, a tendência é que o pragmatismo político fale mais alto. Nesse contexto, a governabilidade com Lula surge como um fator central para a reorganização das forças no Legislativo e para a definição das estratégias eleitorais dos partidos de centro.

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