Programa que amplia auxílio para compra de botijão teve votos contrários concentrados na oposição
A votação da MP do Gás do Povo na Câmara dos Deputados revelou resistência significativa de parte do Parlamento à reformulação do programa de auxílio ao gás de cozinha. Ao todo, 29 deputados federais votaram contra a medida provisória, que amplia o alcance do benefício e altera o formato do repasse às famílias de baixa renda.
A proposta do governo federal prevê a criação de um vale-gás, que permitirá ao beneficiário retirar o botijão diretamente em revendas credenciadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A iniciativa substitui gradualmente o modelo atual de transferência direta de recursos.
O que muda com a MP do Gás do Povo
A MP do Gás do Povo amplia o número de famílias atendidas pelo programa, passando dos atuais patamares para até 15 milhões de beneficiários. Segundo o planejamento orçamentário, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026 reservou R$ 5,1 bilhões para custear o novo formato do auxílio.
Atualmente, o governo federal cobre cerca de 50% do valor médio do botijão, estimado em R$ 130, com repasses feitos a cada dois meses para famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) com renda mensal per capita de até meio salário mínimo. Com a nova MP, esse modelo será mantido temporariamente, mas o repasse financeiro será substituído pelo vale a partir de 2027.
Até a implementação definitiva do vale-gás, os benefícios não serão cumulativos. A expectativa do Executivo é ampliar gradualmente a cobertura do programa, alcançando mais de 17 milhões de famílias nos próximos anos.
Distribuição dos votos contrários
Os votos contrários à MP do Gás do Povo se concentraram principalmente em bancadas estaduais do Sul e Sudeste. Deputados de São Paulo lideraram a lista, com sete votos contra. Santa Catarina registrou seis parlamentares contrários, enquanto o Rio Grande do Sul teve quatro votos negativos.
Do ponto de vista partidário, a maior resistência veio do Partido Liberal (PL), que concentrou 19 votos contrários à medida. O partido Novo também teve participação relevante na oposição ao texto, com cinco deputados votando contra. Outros votos contrários vieram de parlamentares de legendas como PP, União Brasil e PSDB.
Além dos votos contrários, duas abstenções foram registradas durante a votação, o que também influenciou o placar final.
Quem são os deputados que votaram contra
Entre os parlamentares que se posicionaram contra a MP do Gás do Povo estão nomes conhecidos do debate político nacional, incluindo deputados de diferentes estados e perfis ideológicos. A lista reúne representantes de Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Norte e Roraima.
A diversidade regional dos votos contrários indica que a resistência ao programa não ficou restrita a um único estado, embora haja maior concentração em algumas bancadas específicas.
Por que a votação importa
A MP do Gás do Povo é considerada estratégica pelo governo federal por atuar diretamente sobre um item essencial da cesta básica das famílias brasileiras. O gás de cozinha é um dos principais fatores de pressão no orçamento doméstico das camadas mais pobres, especialmente em períodos de inflação elevada.
A mudança do modelo de repasse busca reduzir desvios, garantir o uso exclusivo do benefício para a compra do botijão e aumentar a eficiência do gasto público. Por outro lado, críticos da proposta apontam preocupações fiscais, operacionais e questionam a ampliação do programa.
Próximos passos
Com a aprovação na Câmara, a MP do Gás do Povo segue para as próximas etapas do processo legislativo dentro dos prazos constitucionais. O governo trabalha para regulamentar o sistema de vales e credenciar as revendas junto à ANP antes da transição definitiva, prevista para 2027.
Até lá, o formato atual do auxílio permanece em vigor, enquanto o Congresso segue acompanhando os impactos orçamentários e sociais da medida.
