A emissão soberana nos EUA registra forte demanda e reforça reservas internacionais
O governo federal captou US$ 4,5 bilhões no mercado financeiro internacional por meio da emissão de títulos soberanos do Brasil, em operação realizada nos Estados Unidos e marcada por elevada procura de investidores. A transação, anunciada pelo Tesouro Nacional, reforça as reservas internacionais e indica percepção positiva do mercado em relação à dívida pública brasileira.
A operação foi a primeira emissão externa de títulos soberanos do país em 2026 e envolveu dois papéis: a criação de um novo título com vencimento em dez anos e a reabertura de um título de prazo mais longo, de 30 anos. Segundo o Tesouro, a demanda superou com folga o volume ofertado, o que permitiu condições financeiras consideradas favoráveis.
Novo título de dez anos concentra maior volume
A maior parte dos recursos, cerca de US$ 3,5 bilhões, foi obtida com o lançamento do Global 2036, título com vencimento em maio de 2036. Esse papel foi emitido com taxa de juros de 6,4% ao ano e cupom de 6,25%, com pagamentos semestrais.
De acordo com o Tesouro Nacional, o volume captado nesse vencimento foi o maior já registrado pelo Brasil em emissões externas de dez anos. O spread, indicador que mede o risco percebido pelos investidores, ficou em 220 pontos-base acima dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, nível considerado compatível com o cenário internacional atual.
Reabertura de título de 30 anos complementa emissão
Além do papel de dez anos, o governo captou US$ 1 bilhão por meio da reabertura do Global 2056, com vencimento em janeiro de 2056. Nesse caso, a taxa de juros ficou em 7,3% ao ano, com cupom de 7,25%, e spread de 245 pontos-base sobre os títulos norte-americanos de prazo equivalente.
Segundo o Tesouro, esse spread é o menor observado para um título brasileiro de 30 anos no mercado internacional desde 2014. Em comparação com operações anteriores do mesmo papel, houve redução tanto nos juros quanto no prêmio de risco exigido pelos investidores.
Títulos soberanos do Brasil atraem investidores
A forte demanda foi um dos principais destaques da operação. O volume de ordens chegou a aproximadamente US$ 12 bilhões, o equivalente a quase três vezes o montante efetivamente ofertado. Para o Tesouro Nacional, esse resultado reflete a confiança do mercado na condução da política econômica e na capacidade de pagamento do país.
Em comunicado, o órgão avaliou que a operação sinaliza credibilidade da dívida brasileira no cenário externo, em um contexto de maior seletividade dos investidores globais. A emissão foi coordenada por um consórcio de bancos internacionais, incluindo HSBC, JP Morgan, Santander e Sumitomo.
Recursos reforçam posição externa do país
Os valores captados com a emissão dos títulos soberanos do Brasil serão incorporados às reservas internacionais ainda neste mês, segundo o Tesouro. O reforço amplia a margem de segurança do país diante de eventuais choques externos e contribui para a gestão da dívida pública em moeda estrangeira.
A operação ocorre em um momento de busca do governo por diversificação de fontes de financiamento e fortalecimento da presença do Brasil no mercado internacional de capitais, mantendo acesso a prazos longos e custos considerados competitivos.













